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Tendências de consumo para o segundo semestre de 2026 no Chile

O consumidor chileno mudou — e se sua loja não se adaptou, você está vendo isso nas vendas.

EcommerceJohn Lindgren3 de agosto de 20263 min de leitura

O que mudou nos últimos 6 meses

No início do ano parecia que o ecommerce estava se estabilizando. Depois veio o primeiro trimestre e os números mostraram algo diferente: o comprador chileno está gastando, mas não onde você esperava.

Em mais de 30 lojas que acompanhamos, o padrão é claro. As pessoas não pararam de comprar online. O que mudou é o que compram, por onde e quanto estão dispostas a pagar.

Categorias que estão crescendo

Bem-estar e autocuidado continua subindo. Não falo apenas de suplementos — falo de velas aromáticas, produtos de skincare coreano importado, acessórios para yoga. Uma cliente nossa que vende sabonetes artesanais dobrou suas vendas entre março e junho sem mexer nos preços. A chave? Começou a montar kits de presente para datas específicas.

Produtos para pets premium é outra categoria que explodiu. Peitorais técnicos, ração natural, brinquedos resistentes. O ticket médio nessa categoria subiu 22% em relação ao ano passado nas lojas que gerenciamos.

Alimentos especializados: sem glúten, keto, vegano, orgânico. Já não é nicho. Tem supermercados online competindo nesse espaço, mas as lojas especializadas continuam ganhando por curadoria e confiança.

Moda circular e segunda mão deixou de ser tabu. Plataformas como Vestiaire e GoTrendier educaram o mercado, e agora lojas locais estão aproveitando isso com modelos de consignação.

O ticket médio: surpresas

O ticket médio em ecommerce no Chile gira em torno de $38.000-$45.000 dependendo da categoria. Mas o interessante é o que acontece nos extremos: as lojas que trabalham bem o upsell e os bundles estão empurrando tickets de $55.000-$70.000 sem descontos agressivos.

A lição: o consumidor não está buscando o mais barato. Está buscando valor percebido. Se você mostra um combo que faz sentido, ele paga mais sem pensar tanto.

Canais que crescem (e os que nao)

TikTok Shop ainda não chegou oficialmente ao Chile, mas o tráfego vindo do TikTok orgânico para lojas online cresceu 40% este ano. Se você não está publicando conteúdo lá, está perdendo descoberta.

WhatsApp Business já não é só para atendimento ao cliente. Várias lojas que assessoramos estão fechando vendas diretamente pelo catálogo do WhatsApp, especialmente em regiões onde a confiança no ecommerce tradicional ainda não é total.

Instagram continua forte, mas o alcance orgânico está em mínimos históricos. Se você depende só do Instagram sem investir em mídia paga, vai notar a queda.

Google Shopping é o canal que mais lojas estão subutilizando. O custo por clique ainda é razoável no Chile comparado com outros mercados, e a intenção de compra é muito maior do que nas redes sociais.

O que isso significa para sua loja

Você não precisa vender tudo nem estar em todos os canais. Mas precisa saber onde seu cliente está hoje, não onde estava há um ano.

Três coisas concretas que você pode fazer esta semana:

  1. Revise seu mix de produtos. Você tem alguma categoria emergente que possa testar sem grande investimento? Um fornecedor novo, um kit temático, uma linha complementar.

  2. Meça de onde vem seu tráfego. Se mais de 70% vem de um único canal, você tem um risco. Diversifique, nem que seja com um experimento pequeno.

  3. Aumente seu ticket médio sem baixar preços. Bundles, frete grátis acima de certo valor, produtos complementares na ficha do produto. São mudanças que se implementam em um dia e movem o ponteiro.

O segundo semestre sempre é o mais forte para o ecommerce no Chile. Fiestas Patrias, Black Friday, Natal. Mas a temporada é vencida por quem se prepara antes, não por quem reage quando já começou.

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